sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Ressaca moral




Sentou-se na cama, olhou o passado, viu seus últimos passos e pensou:


- Estou cometendo os mesmo erros pelo caminho avesso.


Começou a purificar seu corpo com ungüento, respirava lentamente invocando mais um mantra, uma cabala que a pudesse livrar de tais pensamentos. Deitou-se de lado e foi dormi. Os sonhos não vieram visitá-la naquela noite, porém o sono parecia forte, pesado, como de quem deita na cama depois de uma batalha.


Levantou-se, não conseguia olhar o espelho, não queria pensar e como num conto de Nelson Rodrigues, resolveu se punir por sentir prazer, por se sentir bem, prefira não pensar muito, porque era para não lembrar, para não amar, não se apaixonar... Entre um pensamento e outro, olhava para o telefone, na ânsia de uma ligação. Mas adiantaria? O telefone não tocava e nem tocaria, afinal de contas, vamos raciocinar, nem seu número tinham.


Se sentia como as caliandras do cerrado, que apontam seu vermelho florido forte e bonito quando todas as outras árvores estão secas, esturricadas...tem culpa as caliandras? Que maldição caem sobre os ombros daqueles que resolvem florir em épocas inférteis. Mas era preciso ser forte como uma planta, e inerte também.


Depois de seu desjejum, aprontou-se para o dia, resolveu se ocupar e esquecer de tudo aquilo que existia, afinal, mesmo estando florindo por dentro, já sabia que era a época de seca. Esse é de fato um solo por onde não se devem florir...

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